"Mas é você que ama o passado e não vê que o novo sempre vem."
Mas aqui o texto é meu. E, por sorte, ele não precisa de consenso. Se houver comentários, posso ignorá-los com a elegância de quem fecha um livro no meio da página e diz: “já entendi”.
É verdade, a indústria cultural anda meio perdida. Custos nas alturas, bilheterias incertas, e a criatividade anda sobrevivendo à base de refilmagens, continuações e pacotes prontos de nostalgia. É o velho com roupa nova, fingindo que é inédito. O que me deixa mais deprimido, no entanto, não é isso. É ver o que empolga as pessoas, o que se torna referência de “qualidade”, o que move corações em emojis apaixonados nas redes sociais. Dá vontade de sentar na sarjeta e chorar em plano-sequência.
Lembro que Harry Potter já não conversava comigo nem na época do auge. Já era coisa “de jovem”, mesmo eu ainda sendo tecnicamente jovem. E é nesse ponto que você percebe que a bifurcação chegou: ou você evolui, ou vira seu pai.
Eu li muito gibi. Muito mesmo. Marvel, DC, tudo. Sonhava com heróis no cinema, mesmo sabendo que, naquela época, isso quase sempre resultava em catástrofes visuais com figurinos de lycra e atores constrangidos. A esperança começou a se realizar com os primeiros X-Men, Homem-Aranha, aqueles do começo do milênio. Vibrei, claro. Mas, aos poucos, fui perdendo o interesse. Os filmes começaram a parecer versões diluídas de algo que já tinha vivido com mais intensidade nas páginas amareladas. Hoje prefiro reler os gibis antigos,
O paradoxo é cruel: reclamam que tudo soa igual, mas continuam buscando o conforto morno do que já conhecem — como quem pede surpresa, mas só aceita o prato de sempre. Reclamam que não se fazem mais filmes bons mas insistem em assistir mais do mesmo. Se bem que quando você pergunta o que é bom dá até medo da resposta.
Usei Vingadores aqui, mas poderia ser qualquer outro. Qualquer filme feito com algoritmo, vendido como evento e esquecido até a próxima sequência. O novo sempre vem. A pergunta é: com o que ele vem?
E a resposta, cada vez mais, parece ser: com menos do que a gente esperava.



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