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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

pequena folha

Sinto o como um câncer
Crescendo dentro de mim,
Mas não está em mim —
É um invasor gentil,
Um estranho que não rouba,
Mas que transforma cada célula,
Cada pensamento, cada gesto.

São apenas sentimentos,
A ilusão tênue de que eu não posso mais ser,
De que tudo que fui se dissolve,
Como areia escorrendo pelos dedos,
E um novo mundo se abre,
Mas não para mim,
Para ele — para o outro —
Que cresce lá dentro, silencioso.

Mudança de identidade,
Deixar de ser seu, para ser dele,
Desfazer-se de velhas certezas,
Para construir pontes desconhecidas,
Entre o ontem e o amanhã,
Entre o que fui e o que serei.

Quero apenas continuar pelo mesmo caminho,
Mas sei que ele se bifurca —
O velho eu ao lado do novo pai,
Um paradoxo vivo, pulsante,
Que a cada batida me chama, me desafia,
A ser menos e a ser mais,
Ao mesmo tempo.

No silêncio do ventre,
Sinto o que não posso tocar,
Vejo o futuro que ainda não chegou,
E mesmo com medo, com dúvida,
Há uma chama que não se apaga:
O desejo infinito de caminhar,
De mãos dadas, na estrada que agora somos.

VERSÃO 2

Sinto como um câncer a expandir,
Dentro de mim a vida a surgir,
Mas não é em mim que está a florir,
É outro ser a me construir.

São sensações que vêm e vão,
Ilusão que rouba a razão,
De que sou eu a perder a mão,
E ele nasce na imensidão.

Mudança fina, identidade,
De ser teu a ser metade,
De deixar o eu, com saudade,
Pra abraçar a novidade.

Quero, sim, continuar,
Por trilhas que vêm a se dobrar,
Mas é preciso me reinventar,
Para o mesmo rumo caminhar.

No ventre, o tempo é segredo,
Mistério puro e enredo,
De um amor que é mais que medo,
É nascer inteiro no enredo.

E assim sigo em transformação,
Entre o fim e a criação,
Pai e filho em comunhão,
Eterno laço, eterna canção.

.














S



















.
Solidão Amiga,
Solidão que vicia
Quero ser sua
Quero ver te sozinha

Um Quarto Fechado
O Silêncio

O Vazio não é possivel

(Com os meus pensamentos nunca estou só)

Para podermos conviver com os Outros
É necessário poder ficar sozinho

Sinto falta do apenas o barulho do vento
Um Livro do começo ao fim
Transbordadando Emoções
Um filme intimista
Refletir
Poder escrever
Concluir um raciocinio

A Solidão é a melhor companheira
Não tenho medo dela
Ela sou Eu

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Palhaço e a bailarina

A bailarina dança tão bem quanto mais só.
E o palhaço quer conquistá-la sorrindo.
Só não vê,
A sua graça não tem glamour.
Só não vê,
A dançarina já tem dono.
Borra a maquilagem pra amanhecer.
Descolore a roupa na solidão do espelho,
Delicadamente.
Mas mesmo assim ele quer ver o sol nascer,
Mesmo longe com saudade do amor.
Só não vê
A trapezista confessa seu nome
Jamais verá.
A trapezista só nasceu pra voar.
Voa, palhaço, voa no trapézio.
Dança, bailarina,
Esbanja, dono dela.

(Mula Manca e a Fabulosa Figura)

Milo Manara por Tutatis !

sábado, 23 de outubro de 2010

The Walking Dead




Finalmente chegou a adaptação para a telinha da HQ "The Walking Dead" de Robert Kirkman. A HQ ou Graphic Novel (como gostam os xiitas) está atualmente no número 70 e devido ao sucesso (cult, diga-se de passagem) e os ultimos sucessos em adaptações independentes era claro que a história sobre a busca do polícial Rick, sua familia e um grupo de pessoas pela sobrevivência em um mundo infectado de Zumbis não iria tardar para ganhar uma adaptação. A boa notícia é que não veio em forma de filme e sim de série, pelo canal AMC, o mesmo das ótimas Mad Men e Breaking Bad.

A HQ, bem violenta por sinal, começa assim como a série, cheia de clichês sobre os Mortos Vivos, mas quem acompanha a mesma e acredito ser o mesmo caminho a ser seguido pela série o importante são as relações entre os personagens e seus conflitos existênciais. A escolha de Frank Darabont como diretor do primeiro episódio(Um sonho de Liberdade, A Espera de um Milagre, O Nevoeiro, todos os três adaptações de livro de Stephen King) já é um indício disto. Mesmo assim, não deixa de ser incomodo a sensação de Deja vu inicial, principalmente o começo, chupado de "Extermínio" de Danny Boyle (culpa da HQ e não da série).

A primeira temporada terá somente 6 capitulos, mas a segunda já está garantida. O primeiro capitulo foi basicamente a apresentação de alguns personagens, indo um pouco além do primeiro número mas já alterando alguns pontos, e se adiantando em alguns pontos para que caiba melhor nos poucos capitulos da temporada. Alguns fãs da HQ (caras que sabem até detalhes irrelevantes da série mas que não costumam entender muito de cinema/TV) vão chiar com as modificações, mas são totalmente necessarias para um adaptação e também não faz sentido algum apenas filmar a HQ (Sin City se saiu bem nesse quesito, mas a proposta lá era outra). A cena da sala fechada do hospital ficou cinematograficamente bem melhor do que seria se fizessem como nos quadrinhos.

Claro que assim como todo filme de ficção, em Walking Dead é necessário boa parte de tolerância com relação a muitas coisas no roteiro, existem muita enrolação, e embora 78 edições pareça muito, o roteiro deve condensar bem essas histórias, sob o risco de enrolar. Tem edição que demora uns 3 meses para sair e você chega o absurdo de ler em menos de 5 minutos.

Há respeito das personagens existem algumas bem interessantes, muitos que vão surgindo durante o caminho, alguns forçados como Michonne (que deve aparecer ainda nessa temporada, ao menos no final, apesar de não estar listada no elenco). Michonne porém deve ser a mais popular para muitos leitores da HQ (não tenho muito saco de ficar lendo foruns e não tenho contato com leitores da série).

Dificil comentar sobre a série, para não soltar muitos detalhes sobre elas, mas acredito que, pelo ritmo desse primeiro episódio, a temporada deve acabar no comeco do arco da prisão (que demora até para aparecer na série). Mas ainda não dá para ter certeza do ritmo que ela vai tomar, os cortes e adaptações. Um exemplo é a respeito da relação de Rick com o amigo Shane que já no primeiro episódio dá pistas de onde vai chegar, o que na HQ chegou a se fazer um pouco de suspense, embora obvio, por algumas edições. Por outro lado, as séries da AMC costumam ser, assim como a HBO, de apenas 13 episódios, aos contrário dos mais de 20 das demais canais.

O certo é que os Zumbis, que já foram renegados ao underground do terror, estão no gosto popular já há um bom tempo, depois da repercussão do já citado "Exterminio" de Danny Boyle (Trainspotting, Quem quer ser um Milionário), da boa aceitação do remake de "Madrugada dos Mortos" dirigida pelo então estreante Zack Snyder ("Watchmen", "300" e possivelmente da continuação "Xerxes" e o novo Superman) e de outros filmes menores a explorar a temática, até mesmo no campo da comédia com o inglês "Shaum of the Dead" e o canadense "Fido". Ambos ótimos exemplos, diga-se de passagem.

Se você não conhece a série e se interessa por HQ pode baixar todas as ediçoes aqui e se você já viu o primeiro episódio deve estar esperando ansiosamente pelo segundo. De qualquer forma é melhor chamar o entregador de pizzas. Ele pode ajudar.

domingo, 10 de outubro de 2010

VIOLÊNCIA (Titãs)

Uma musica um pouco que desconhecida, mas de uma época que os Titãs faziam juz a fama que possuem e que me veio a mente depois de Tropa de Elite 2.




O movimento começou, o lixo fede nas calçadas.
Todo mundo circulando, as avenidas congestionadas.
O dia terminou, a violência continua.
Todo mundo provocando todo mundo nas ruas.

A violência está em todo lugar.
Não é por causa do álcool,
Nem é por causa das drogas.

A violência é nossa vizinha,
Não é só por culpa sua,
Nem é só por culpa minha.

Violência gera violência.

Violência doméstica, violência cotidiana,
São gemidos de dor, todo mundo se engana...

Você não tem o que fazer, saia pra rua,
Pra quebrar minha cabeça ou pra que quebrem a sua.

Violência gera violência.

Com os amigos que tenho não preciso inimigos.
Aí fora ninguém fala comigo.
Será que tudo está podre, será que todos estão vazios?
Não existe razão, nem existem motivos.

Não adianta suplicar porque ninguém responde,
Não adianta implorar, todo mundo se esconde.
É difícil acreditar que somos nós os culpados,
É mais fácil culpar deus ou então o diabo.

*``O crime é venerado e posto em uso por toda terra,
De um pólo a outro se imolam vidas humanas.
No reino de Zópito os pais degolam os próprios filhos,
Seja qual for o sexo, desde que sua cara não lhes agrade.
Os coreanos incham o corpo da vítima a custa de vinagre
E depois de estar assim inchado, matam-no a pauladas.
Os irmãos Morávios mandavam matar com cócegas''

* Fragmentos de "Dissertação do Papa sobre o crime seguido de orgia'' (Marquês de Sade)

Tropa de Elite


O primeiro Tropa de Elite foi acima de tudo um grande fenômeno cultural . O Capitão Nascimento, um dos grandes vilões do cinema nacional tornou se um icône pop, frases do filme viraram citações na boca do povo, e a péssima trilha sonora foi um sucesso. Portanto natural que o filme ganhasse uma continuação.

Particularmente não tinha muitas expectativas para essa continuação. Tropa de Elite parecia mais um piloto de seriado de TV e o recurso do Voice Over (ou narração em off), que me pareceu inserida apressadamente, atrapalhava demais o filme. Não acredito que o Cinema deva usar muito esse recurso. O Cinema tem outras maneiras de passar uma mensagem e sempre me pareceu meio que vagabundagem e subestima o publico o uso frequente deste tipo de narrativa.

Não que Tropa de Elite seja ruim. Ao contrário, é justamente um raro exemplar de cinema de ação feito no Brasil (bem feito acima de tudo e melhor que muito blockbuster americano) e apesar de violento, era divertido em muitos momentos e trazia acima de tudo grandes questões para reflexão, como a verdadeira função da policia e quem é o verdadeiro culpado pela violência que vemos na TV. O filme, apesar de tendencioso ao ser narrado pelo protagonista, não trazia muitas respostas. Nascimento, acreditava trazer as respostas, mas ia se afundando lentamente, demorando para cair a ficha,ignorando os sinais que seu corpo dava do que estava lhe acontecendo.


E eis que estreou o novo Tropa de Elite, um sucesso de público garantido. A continuação começa com uma estrutura de seriado com um pequena apresentação antes dos créditos iniciais (novamente com uma trilha sonora aquém das qualidades do filme) e o expectador se sente em casa.

Todavia, pode ser que esse novo Tropa de Elite não seja tão bem assimilado pelo grande público.Tem menos ação do que o esperado e traz um contexto político forte. Dito isso, Tropa de Elite 2 é um filmaço, anos-luz a frente do primeiro. José Padilha amadureceu seu discurso. Com as personagens principais devidamente apresentadas, deixa de lado as lenga-lengas e parte para a trama propriamente dita e nos entrega um filme empolgante e corajoso.

José Padilha coloca o dedo na ferida e atira para todos os lados. Os vilões são devidamente delineados e vão se revelando naturalmente no decorrer do filme. Contudo as personagens estão longe de ser unilaterais, são profundas. Alguns caricatos (André Matos que faz o Fortunato "Datena" é muito ruim pro papel. Se faz rir é por causa do texto, mas muito mal aproveitado).

Além de Wagner Moura, que agora começa como Tenente-Coronel,e está mais como um anti-herói quixotesco, André Ramiro (André Matias), Maria Ribeiro (Rosane, esposa de Nascimento) e Milhem Cortaz (Capitão Fábio) voltam aos seus papeis.

O elenco ganha ótimos acrescimos como Tainá Miller (Cão sem Dono) no papel, infelizmente pequeno, de uma jornalista , Sandro Rocha como Russo, o vilão da vez, o fraco Pedro Van-Held como Rafael, filho de Nascimento , Iradhir Santos como o ativista Fraga e Seu Jorge como o chefão Beirada (alias, ele devia deixar a musica de lado e se dedicar mais a carreira de ator).

Nascimento é uma personagem digna da trágédia grega. Seus atos o caminham para a fundo do poço desde o primeiro filme (onde termina abandonado e infeliz por suas escolhas) e aqui novamente demora a cair a ficha de que, a cada degrau que sobe na vida pública uma teia de ramificações e consequências cada vez mais dificeis de desfazer vão se formando. Ele é vítima de um sistema corrupto que o próprio acaba por fortalecer. Quando cai em sí pode ser tarde demais, mas o filme trás uma mensagem de esperança, ainda que dificil de identificar os verdadeiros culpados. E como já dizia Rauzito "você mata uma e vem outra em seu lugar".


Tropa de Elite 2 tem suas falhas, mas elas são atenuadas por um excelente roteiro, uma montagem primorosa e uma coragem que falta a muito cineasta brasileiro, que não deixa ninguém de fora de suas críticas, desde os intelectuais e ativistas, passando pelo jornalismo e culminando nos verdadeiros culpados, estes invisíveis e dificeis de indentificar. Mas difícil mesmo é prever o impacto que pode ter em mês que decidimos o futuro de nosso pais com as eleições presidenciais.

Enfim, um filme que apresenta várias perguntas e que faz o o expectador refletir. E de certa forma (principalmente nas palavras de Fraga acerca do simbolo do Bope) até atesta um pouco o que disse no post "O Brasil de todos nós".

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Brasil de Todos Nós



Sylvester Stallone causou comoção na "Inteligência" twitteira ao fazer declarações sobre o Brasil durante a Comic-Con 2010, o maior festival Nerd do mundo. Stalone fez algumas piadas sobre o Brasil ser um país de extremos e que só pode filmar seu novo trabalho do jeito que queria por aqui. "Gravar no Brasil foi bom, pois pudemos matar pessoas, explodir tudo e eles (os brasileiros) dizem obrigado".

Exageros a parte da piada, o certo é que Stallone disse uma grande verdade. Me lembro de quando estava no colegial e tinha intercambio entre estudantes era incrivel a "puxasaquice" qdo vinha um americano por aqui. Fico imaginando o mesmo quando aparece um astro internacional.

Uma outra verdade que ele disse foi a respeito do Bope: "os policiais brasileiros usam camisetas com o desenho de uma caveira, duas armas e uma faca cravada no centro. já imaginou se a policia de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar". É aquela velha questão da função da policia. Infelizmente no País tem-se uma visão da polícia como repressão e não como segurança. E no Rio isso é uma realidade, e a publicidade em torno da mesma não desmente.

O Capitão Nascimento de Tropa de Elite foi um dos grandes anti-herois que o Cinema já produziu. Ironicamente, ele é considerado mais um heroi do que vilão pela grande parcela da população.

Falta civilidade e educação para o povo. E quando falo povo, não estou me referindo tão somente aos excluidos sociais ou o povo sofrido do Nordeste (segundo a candidata Dilma, aquele pais vizinho que faz fronteira com o Brasil). O Brasil possui uma parcela enorme de analfabetos funcionais, gente que aprendeu a ler e a escrever mas que não sabem interpretar um texto. E o pior, nossas faculdades estão cheias de gente assim. Basta dar uma olhada em redes sociais para ver também como os jovens "estudantes" cometem atrocidades com a lingua. As vezes, claro, é devido a erros de digitação devido a rapidez, mas uma olhada mais atenda dá para ver que na maioria é erro mesmo.

Me lembro de quando estudava, nos distantes anos 90 e se lá a coisa já estava perdida, imagino agora. Uma vez prestei um concurso e a prova de português estava ridiculamente fácil, quase nada de gramática, apenas simples análises de texto e perguntas obvias. Pensei que todos iriam gabaritar no quesito, mas incrivelmente muita gente saiu reclamando da dificuldade. Se a pergunta for "qual a cor do carro" e o texto for "O carro é vermelho." pelo menos 95% acertariam. Agora coloque o mesmo texto, sem mudar uma palavra no meio de um maior, com mais palavras, e pode ter certeza que menos de 50% ira acertar. E isso é fato.

Você ver um coitado que trabalha o dia inteiro ouvindo algo do tipo "Rebolation" no carro é até compreensivo, mas um colegial ou mesmo um cara prestando uma faculdade e ouvindo isso é de uma falta de cultura e de estudo assustadora. E o Brasil está cheio de pessoas assim. E são essas mesmas pessoas que elegem os governantes, não os coitados sem acesso a educação nas favelas e nas partes pobres do País, como muitos gostam de alardear.

Voltando ao assunto principal é incrivel como o brasileiro só se torna patriota quando vem um gringo falar mal ou mesmo em Copa do Mundo. E o pior é que é o tipo de pariotismo cego e burro. A Copa acabou, o Silvester já se foi (acabou pedindo desculpas, infelzmente) e seria ótimo que o brasileiro tivesse toda essa raça dos ignorantes que ficam ofendidos com pouca coisa, como no episódio dos Simpsons, que estão há mais de 20 anos ironizando os proprios americanos, mas quando vem fazer piada com o Brasil, aí não pode.

A ironia é é a arte de dizer uma coisa dizendo o contrario do que se deseja,e o problema é que ela exige um expectador inteligente ou mesmo de raciocinio rápido. Stallone, mais uma vez, só foi sincero do que se pensa e exagerou na sua piada (ou alguém realmente levou a sério quando ele diz que aqui pode explodir ou matar a vontade , por isso é que ele veio filmar aqui ? Bem, claro, houve muitos que levaram...).

Uma pena também que alqueles que realmente deveriam ler isso nunca terão a capacidade de ler tanto (talvez por isso coloquei essa conclusão no final, sempre tem quem consegue só ler o começo e o fim dos textos).
Bem, vou terminando por aqui que tenho que levar meu macaco pra passear. Até !

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lost - Solução fácil com aura de Complicada


A menos que você não é desse planeta ou não freqüenta muito redes sociais com certeza você deve saber que finalmente terminou depois de seis anos a serie Lost.
Lost foi um marco das series televisivas. Antes dela somente Arquivo X e antes ainda Jornadas nas Estrelas teve o menos nível de comoção entre fãs. Acredito que essas citadas até mais, uma vez que Lost foi a primeira grande série da era Internet.

Enquanto Jornadas nas Estrelas foi um “fracasso” durante a exibição foi nas intermináveis reprises que se formou uma verdadeira legião de doentes pela serie, como nunca se viu. E Arquivo X foi a série que definiu muito do que veria a ser Lost e é impressionante o status Cult que conseguiu alcançar em uma época que a Internet era quase inexistente do modo que vemos hoje e um download do episódio era menos que um sonho.

Lembro-me de ter assistido o primeiro capitulo na estréia nacional, mas já sabia do ue se tratava devido às reportagens que já tratavam a série como um fenômeno e trazia como o Homem por trás de tudo J. J. Abrams, famoso pela série Alias, que embora não tenha alcançado o mínimo de repercussão de Lost foi o suficiente para saber da qualidade de suas produções. J. J. Foi um tanto quão decepcionante nas tentativas pós-Lost (Fringe, Missão Impossível 3), mas seu nome já está eternizado nos cânones cinematográficos.

Durante toda a primeira temporada, acompanhei semanalmente os capítulos pelo AXN. A série ainda ia caminhando a seu status com seus enigmas sendo apresentados e em um enredo mito bem construído, culminando num dos melhores finais de temporada que já tive o prazer de assistir com a escotilha sendo aberta. Nesta época tudo era especulação em Lost, a mitologia da serie ainda não estava definida, mas varias teorias foram se formando como a de que todos estariam mortos ou que tudo poderia ser uma experiência secreta, enfim, o inicio das teorias mirabolantes.



A segunda temporada comecei a assistir pelo AXN, mas naquela época já havia um grande atraso em relação ao intervalo de exibição com os EUA, o que favoreceu aos primeiros downloads de episódios que tive acesso, com as legendas em português feitas por fãs e que na época era algo inacreditável, nunca pensando na rapidez que tudo acontece hoje em dia. Não segui a temporada semanalmente, às vezes caia na minha mão cinco episódios seguidos. A segunda temporada, porém foi a melhor em minha exibição, com um primeiro episódio genial, começando com uma bela e esquecida musica (que se repetiu no começo da terceira temporada) e um final ainda mais enigmático que o primeiro, com um grupo de portugueses falando português brasileiro ao final (o ator era meio brasileiro, meio americano e residente nos EUA, por isso o sotaque. O pai dele brasileiro ainda ridicularizou seu sotaque). A mitologia estava avançando nesta fase.

Foi a terceira temporada que começou a queda de popularidade da série, com questões e questões sendo formuladas e respostas de menos. O navio de portugueses/brasileiros não era citado durante toda a temporada e a serie começava a esconder o jogo. Continuou com sua aura Cult (eu continuei amando a série), mas o grupo mais popular que conheceu a série pela TV aberta começou a debandar, embora fosse um sucesso quando chegava o Box nas locadoras.

Já nessa fase comecei a acompanhar os episódios na semana de exibição nos EUA. Começaram a aparecer as primeiras criticas desfavorável, mas a serie ainda mantinha o apelo do começo e finalizando novamente de forma magistral.
A partir da quarta temporada, porém foi se definindo que os primeiros episódios seriam ótimos, mas os do “meio” serviam para “encher lingüiça”, enrolando e não caminhando a passo de tartaruga. Um ou outro episódio se sobressaia, geralmente aquele que mostrava algo novo.

É ai que entra a maior armadilha de uma série como Lost e que foi também a de Arquivo X, para comparar. Arquivo X manteve uma mitologia sobre ETs e a busca de Mulder pela verdade do que teria acontecido com sua irmã, que era o ponto central da série, e que foi se arrastando até ficar totalmente inconvincente e no final pouco mais importava essa busca dele. De “A verdade está lá fora”, passou para um “que se foda a verdade” (a não ser fanáticos acho que perdeu totalmente o interesse). Arquivo X por outro lado apresentava em sua estrutura de episódios ao estilo CSI, onde você não precisa assistir a todos os episódios. Claro que existe uma linha continua de evolução dos personagens, mas o telespectador que cair de paraquedas no episódio não terá dificuldades em acompanhar (claro, já descontando os citados episódios da mitologia).

Lost por outro lado não permite isso. Se bem que dá pra imaginar um cara assistindo uma temporada por completo sem ter visto a anterior (uma vez que ele vai estar tão perdido como quem viu tudo e terá até menos duvidas).
Como manter um mistério por tantas temporadas? Lost caiu na armadilha de se alongar demais (afinal nenhuma rede de televisão iria querer matar sua galinha dos ovos de ouro). Os roteiristas sabiam desse risco, tanto que resolveram diminuir o numero de capitulos de cada temporada, ainda que não o suficiente. Se Lost optasse por responder todos os mistérios acabaria logo, e por outro lado ao fazer o que os roteiristas fizeram, de responder os mistérios com outro maior acabaram criando um samba do criolo doido de difícil amarração.

Saíram-se bem em algumas partes, tiveram a feliz opção de mudar o foco de cada temporada (viagem no Tempo, Experiências) até a fase mística que foi a ultima temporada, o que particularmente para mim foi frustrante.

Ao dar resposta sobre o motivo de todos estarem na ilha criou o personagem do Jacob. Para explicar o personagem do Jacob inventaram a “mãe” de Jacob e no fundo não respondendo nada. Algo como inventar um Deus para explicar a origem do Homem na Terra, mas sem ter que explicar de onde veio esse Deus. Ai cria a Fé para você parar de ter questionamentos pagãos.

Eu gosto de filmes como o de David Lynch. Acredito que uma história pode ser interessante mesmo sem uma explicação para tudo. É um tipo de cinema de emoções e não racional. Lost não necessitava explicar tudo para ser fascinante, poderia ter o final aberto (como teve naturalmente), mas para mim caiu na armadilha de querer explicar. Algo como em Star Wars, quando George Lucas resolveu explicar o que é a “força” e dar uma explicação ridícula e inútil (quem em sã consciência achava que era necessário explicar a “força”?). Uso como exemplo o Adão e Eva de Lost. Eu nunca achei importante a explicação de quem eles poderiam ser não achei ruim ter revelado, mas um episódio inteiro para chegar nisso foi um pouco demais. Ainda mais nos 45 minutos do segundo tempo quando existia tanta coisa para explicar. Se bem que os últimos capítulos beiraram a incoerência. Irritava um personagem tão poderoso como o falso Locke simplesmente não matar logo os escolhidos e no final começar a brigar com Jack e tentar matá-lo naquela altura do campeonato. Se ele podia porque não o fez antes? Lost caiu na armadilha de um final de novela, onde tudo acontece ao mesmo tempo, coisa que a própria estrutura da narrativa permitia o contrário. Parece coisa de novela das seis (e não to me referindo somente a “A Viagem”).

Tem aquele tipo de fã que ama a série como uma paixão por uma pessoa e se revolta com quem diz ao contrario, tem aquele que ama a série mas se decepcionou com o final e tem aquele que achou o final razoável e não espera muito mais do que aquilo e se deu satisfeito com o final apresentado.

Eu particularmente não gostei da ultima temporada, como já disse pelo lado místico que seguiu (tema que não me atrai), mas gostei de alguns episódios isolados e nessa altura do campeonato saberia que a série iria acabar em aberto. Se bem que achei que iria acabar mais em aberto, mas tentaram explicar demais o inexplicável e acabaram optando por uma solução fácil, ainda que dúbia.

O tipo geek e fanático ainda vai continuar acompanhando especulações e inventando teorias, correndo atrás de cada extra apresentado, mas o fato é que para analise final, o que importa é o que foi apresentado. Não me importa saber se eles morreram desde o inicio da série, ou se apenas depois dos episódios antes ditos como paralelos, mas apresentados no final como um futuro próximo (afinal o dialogo entre o Hugo e ben deixa claro que tudo aquilo se passa após a morte de jack na ilha). O que me importa é o que foi apresentado na série, como um todo e não ficar fuçando por ai atrás de teorias e especulações. Tem o fã que gostou do final, mas tem o que se decepcionou, mas tal como um marido traído se recusa a enxergar e admitir isso. Pode ser que com o tempo eu aceite tudo e por amor a série acabe me acostumando com tudo, mas inicialmente não gostei da ultima temporada.

E não tenho nada contra finais em aberto, como o de “Família Soprano” que adorei , pois deixa em aberto para novas continuações (alias, o final "Soprano" de Lost apesar de parodia foi infinitamente mais memorável)e nada contra finais fechados como o de “A sete Palmos”. Ambas as melhores séries que assisti.

Por fim, acredito piamente que Lost não acaba por ai. Talvez demore um pouco, mas duvido que não apareça algum complemento, seja um telefilme, seja uma nova série derivada. É muito dinheiro em jogo. O fato é que por enquanto acabou, e para mim sem criatividade nenhuma. Mas o conjunto compensa e...