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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Fernanda Takai (Pato FU) - Entrevista



O Pato Fu está lançando seu Nono Disco. Desde 1993, quando lançaram o primeiro álbum, o independente Rotomusic de Liquidificapum (Cogumelo) muita coisa mudou, tanto no som, quanto na forma que a musica é consumida. O Novo disco foi lançado primeiramente na Internet (voluntariamente) para só depois ganhar o "disco físico" (ou o CD propriamente dito)

A Banda foi formada em 1992. Batidas eletrônicas , aliadas à guitarras distorcidas e um incrível apelo pop, misturando sons como não se via desde os Mutantes (a quem foram frequentemente comparados à época) fizeram do Pato Fu uma das maiores revelações daquele ano.
Os Clipes já frequentavam a MTV na época, mas foi com o lançamento de "Gol de Quem ?" pela BMG em 1995 que colocou o Pato Fu no mapa, com sucessos como "Sobre o Tempo" e "Qualquer Bobagem" (dos Mutantes). Na época a banda ainda não contava com um baterista, vaga então logo ocupada por Xande Tamietti.

Em seguida veio o ótimo "Tem mais Acabou" em 1996, que trazia faixas deliciosas como "Água", "Capetão 66.6 Fm", "Por que te Vas", "Little Mother of Sky". Em 1998 foi a vez de "Televisão de Cachorro", com as populares "Antes que seja tarde" e a regravação de "Eu sei" da Legião Urbana, além da comovente "canção para você viver mais", a provocativa "Nunca Diga" do grande Frank Jorge e outras grandes canções como "A Necrofilia da Arte", "Licitação", "Vivo num Morro". O Pato Fu tinha conquistado o Brasil com suas musicas contagiantes.

Antes do século terminar , o Pato Fu lançaria ainda "Isopor", que trazia o mega-hit "Depois" e "Made in Japan" (que nãoi sei porque me lembra dos Muppets ... por que será ?). Quem só conhece a Banda pelas rádios e pelos clipes da MTV porém corre o risco de não conhecer toda a riqueza de seus albuns.

Em 2001 foi a vez do belo "Ruido Rosa" que trazia uma segunda cover de Frank Jorge , desta vez o sucesso "Eu", que até hoje muita gente não sabe se tratar de uma regravação. O disco trazia outras regravações : "Ando meio desligado" dos Mutantes (que foi abertura de Novela) e "Tolices" do IRA ! , ambas um pouco decepcionantes. Mas o áçbum trazia boas canções da banda como "Ninguém" , a faixa-título "Ruido Rosa" e "Day After Day" (que além de tudo trazia a grande reunião dos Mulheres Negras)

No ano seguinte o grupo lançaria o Ao Vivo MTV, que como não poderia deixar de ser foi um grande sucesso e serviu para fechar uma fase do grupo.

Fernanda então ficou grávida e foi somente em 2005 que voltaram a gravar um novo álbum , "Toda Cura para todo Mal". O disco não trazia nenhum hit e a apesar de boas musicas como "Anormal" , "Amendoim" ,"O que é isso ?" e "tudo" a banda deixou de frequentar a grande mídia como outrora, mas nada disso a impediu de ganhar o prêmio de Melhor show de musica popular do ano, pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). O disco foi lançado pela Sony e ganhou ainda um DVD contendo clipes de todas as musicas do disco (13).

Neste ano a banda voltou a ser independente com o ótimo "Daqui pro futuro" (um titulo bem sugestivo, diga-se). O disco trás a Banda em boa forma e boas canções com a oitentista "Woh" , "Cities in Dust" (classico da banda Siouxsie and the Banshees) ,e a tão esperada canção para o filho que os fãs esperavam desde o album anterior, a bonitinha "Mamã Papá"

Confira agora a entrevista exclusiva para o POPICES com a cantora Fernanda Takai, acerca deste novo trabalho e sobre o mundo Pop em geral.

Vamos lá . Para começar como você vê a musica Pop ?

Música boa de estética sonora marcante, com melodia incrível e uma letra que a gente sai cantando junto por pura empatia.

Podemos então dizer que o Pato Fu é Pop, então...
Por muitas vezes sim. Algumas vezes é chamado de estranho ou esquisitinho.

Comecei com essas duas questões pois parece haver um preconceito com esse termo, "Ah isso é pop demais" e eu considero "Paranoid" do Black Sabbath ou mesmo "Smell Like teen Spirit" qrandes músicas pop acima de tudo. De qualquer forma, o que separa a musica Massificada com a , digamos , sofisticada (para não perder a rima) ?
A separação vem da cabeça das pessoas. Se o povo bacana acha legal algo pop e traz pra junto dele, lhe dá uma aura mais nobre. Ao passo que as canções muito populares que são até rastejantes, sempre encontram algumas caras fechadas por aí, embora tenha imenso reconhecimento numérico. Eu prefiro exercitar o meu gosto sem fronteiras muito racionais. Esse assunto música é subjetivo demais pra gente tentar achar o certo o errado, o bonito e o feio.

Fernanda, você regravou "Esqueça o pranto num sorrisso" para uma coletânea. Cite mais algumas outras canções, digamos, "menos conceituadas" que vocês gostam ?
"Esconda..." gravamos pra uma trilha de desfile de modas no fim de 2005, ela foi compilada agora pelo pessoal da Allegro. Ah, gosto de coisas da Diana, Perla, Sidney Magal, Abba, Carpenters, Duran Duran... Tem gente que me olha torto por causa deles. Mas são ótimos!

E por outro lado, o que não suporta ?
Não gosto muito de rock progressivo ou heavy metal, gosto de canções suaves. Adoro gente que tem voz bonita como Roy Orbinson, Paul McCArtney, kd lang, tracey thorn, Clara Nunes...

Andy Warhol mostrou que o Pop pode ser arte. Hoje em dia, vocês conseguem ver algo que se enquadre nesse contexto ?
A música é uma arte nela mesma. Nem precisa ser Pop. Quando é Pop ao extremo vira camiseta, filme, álbum de figurinha, xampu...

Vocês devem conhecer aquele clipe do Yo La Tengo, "Sugarcubes" onde eles ironizam a formula pop. Dá pra definir uma " escola de Rock" ?
Bem, eu sou contra o rock purinho. Prefiro quando ele vem misturado com outros sabores. Não frequentaria uma escola de rock, iria pra alguma coisa mais abrangente e menos ortodoxa.

O que falta para bandas como "Yo La Tengo", "Teenage Fanclub", "Superfurry" ultrapassarem a linha tênue que separa bandas conhecidas de outras como U2 , Coldplay ?
Aí você deve perguntar pra eles, não é? Talvez eles nem achem que falte algo, como eu não acho que falte pra nós ou pra eles mesmos. Se vivemos de música e da música que sabemos fazer, é mais do que maravilhoso.

Como você vê esse revival que teve recentemente dos anos 80 ?
Normal, como toda década que é renegada logo que acaba e adorada na sequência.Foi assim com os 60, 70... e 80. Atualmente os 90 é que são meio datados, né?

Não deixa de ser . Então dá pra definir algum estilo ou teremos que aguardar os anos 10 para isso ?
Como parte dessa geração me orgulho em ainda ter uma banda que durou até agora fazendo uma música diversa e alcançando algum reconhecimento pela forma como compomos e produzimos nossos discos, pelos caminhos que tomamos. Do nosso ponto de vista f
oi uma década de muita diversidade e bastante produtiva.

Porque a regravação de "Cities in Dust" do Siouxsie ?
Fizemos essa versão para um show em Londres, no fim do ano passado. Queríamos ter alguma coisa em comum com a platéia que não fosse brasileira. Essa banda foi uma das mais importantes pro rock inglês, grande influência pra gente.

E quais as outras influências, obvias e não tão obvias assim ?
Anos 80, New Wave, EBTG, Bossa-Nova, Pizzicato Five, Roberto e Erasmo, Mamas & Papas...

Um disco pode mudar vidas ?
Um disco sozinho não, mas tudo o que vem em torno. A forma como um artista é apresentado através de um disco nos faz querer mais dele. Se a experiência é boa, queremos sempre mais. Acredito muito na música como elemento de sensibilização humana. Mas ela não faz isso sem outras interfaces. Seja uma capa de disco, site, show, revista, poster, revistinha de violão, entrevista na tv. Ela te dá a faísca.

Eu tenho alguns discos que marcaram fases da minha vida como o "The Wall" do Floyd, o "Appetit" do Guns, o "Doolitle" do Pixies, o "Blue Album" do Weezer, o "Transformer" do Lou Reed, o "Ziggy" do Bowie, "Ok Computer" do Radiohead, "Coisa de Louco II" da Graforréia, "Tigermilk" do Belle&Sebastian...Não necessariamente os discos que eu citaria como mais importantes (como deixar o Revolver dos Beatles de lado) , mas que definiram uma fase da vida, uma mudança... Quais você poderia citar como discos emblemáticos par
a você ?
Beatles - Beatles Oldies

Nara Leão ...E que Tudo Mais Vá pro Inferno!
Blitz - As Aventuras da Blitz
Duran Duran - Rio
The Cure - The Head On The Door
Suzanne Vega - Nine Objects Of Desire
Radiohead - Ok Computer
Pizzicato Five - Made In USA
Ná Ozzetti - Estopim
Emiliana Torrini - Fisherman's Woman

Fale um pouco do conceito por trás da capa do novo disco . Interessante o Paradoxo com o nome do disco ...
Todo o encarte é recheado de maquininhas que fazem mais esforço do que o necessário pra chegar a um resultado simples.
É como às vezes nós mesmos fazemos: complicamos digitalmente o processo pra ficar mais humano, mais puro. É meio o que se faz nessa sociedade moderna. Ao invés de falar as coisas de modo direto, a gente liga antes pra dizer que vai mandar um email...

Recentemente a Rolling Stone perguntou para a Paula Toller que " o Kid Abelha e o Pato Fu sofrem do mesmo mal de ser associado ao Universo adolescente pelos assuntos abordados" . Você compartilha dessa visão ?

Não sofri desse mal de forma atormentada. Então... Acho que a gente tem um universo lírico muito amplo. Não concordo com quem fez essa colocação.

O tempo é um assunto recorrente nas letras do Pato FU...Neste novo trabalho, de cara podemos perceber já no título e por que não , na escolha da cover de Cities in Dust.
É um assunto recorrente sim, ele nos dá muitas ideias.espero que as pessoas as considerem boas...

"Conte sua história / pois sua memória pode um dia se apagar". Esse é o nono album do Pato Fu. Desde 1993 muita aconteceu. Você percebe uma mudança de temas ou uma nova visão sobre os mesmos temas ?
Acho que é uma forma diferente de escrever sobre os mesmos temas. Tomara que seja uma evolução...

Apesar das buscas por novas sonoridades, pelo grande uso do estúdio, a banda era , digamos, mais anárquica. O Rock também é associado ao universo adolescente. Como você encara o envelhecimento ? Da mesma forma o novo disco soa bem melancólico, com raríssimas exceções (Woh) e , por que não, adulto.

Éramos mais jovens e mais "tudo ao mesmo tempo agora". Sou mais feliz hoje com a banda do que no começo e isso é vital pra que ela continue. Aliás, todos os integrantes tem que gostar mais da banda hoje do que anos atrás. Do contrário, é a fórmula pro início da contagem regressiva pra uma implosão.

O Fato de não estar mais em uma grande gravadora e de estar afastado há um tempo da grande mídia e a necessidade de não se produzir mais hits imediatos é reflexo disso ?
Não... estar ou não numa gravadora grande ou nenhuma gravadora não altera a forma como fazemos música.
A Cachorro Grande lançou seu ultimo trabalho primeiramente pela Internet, vocês seguiram esse mesmo caminho. A Arte do disco nos dá essa idéia de uma dualidade entre o Passado e o Futuro, tem um ar meio retrô (também reforçado pelo resgate do Siouxsies). Você é daquelas que adoram um sebo, o prazer de comprar um vinil , não só pelo som , mas pela arte de capa e voçê costuma baixar música pela Internet, seja Lados B, ou musicas de banda que ainda não conhece ?
Não tenho saudade do som do vinil, mas do espaço gráfico. Quase todo mundo lança primeiro na internet faz uns anos, mesmo que involuntariamente, não é?


E voçê costuma baixar música pela Internet, seja Lados B, ou musicas de banda que ainda não conhece ?
Eu compro disco ainda, mas também baixo as novidades quando estou curiosa ou alguma faixa rara de algum artista que gosto.

"Fui lhe mostrar um disco que eu comprei de um cantor que eu sempre gostei / mas você não me deu atenção". Isso acontece com frequência com todos os amantes da musica. Como você conheceu o Frank Jorge ?

Foi o Miranda que me mostrou a Graforréia pela primeira vez. Eu sempre gosto de indicar meus artistas preferidos para amigos que sei que gostam demais de música.

E como foi a experiência de participar do "Vida de Verdade ? Pena que é uma participação bem discreta .
Foi ótimo participar com o Frank. A discrição é uma qualidade!


Você tinha que idade quando entrou para o Pato Fu ?
21 anos. Eu estava terminando a faculdade de Comunicação.

Quando foi o momento em que vocês viram que daria para viver de música, que daria para largar os outros empregos ?
Só deixei o meu trabalho na agência na época do "Tem Mas Acabou". Já tínhamos gravado 3 discos.

Enquanto grande parte das bandas independentes tentam o mainstream, as grandes gravadoras , o Pato Fu fez a opção contrária, deixaram de ser uma banda menor no mundo das Majors para se tornar a maior entre os Independentes. Como está sendo essa nova fase ?
Muito boa. Mais trabalho, menos verba. Mais satisfação, mais agilidade.

O que você está ouvindo de bom na musica hoje , que ocupa seu MP3 player ? E o que não aguenta mais ?
O que não aguento, evito. Escuto muito os discos novos da Suzanne Vega e da Tracey Thorn (vocalista do Everything But The Girl).Do Brasil tenho ouvido o novo do Ludov.

Quais os planos para o Pato Fu neste ano ? Vocês pretendem fazer um DVD com todos os clipes como no anterior ?
Ainda não temos um plano de DVD como o do Toda Cura... Temos gravado muito material estrada afora...

Hoje em dia há a necessidade de seduzir o consumidor com outras alternativas para a compra do material físico, como uma embalagem especial e coisa assim para concorrer com a Internet ?
Sim, ter um projeto gráfico interessante ajuda. Mas a grande motivação ainda é a música.

Depois do Teremim , agora um Hurdy Gurdy. De onde vem essa busca por instrumentos inusitados ?

A gente não busca os sons de instrumentos de forma obcecada. É uma escolha entre tantas outras. A gente apenas tem muito cuidado e critério quando está escolhendo sonoridades numa canção. Não temos pressa, então as opções aparecem.


Um comentário:

Tathi e Paulo disse...

É Gus, até que você é bom nisso!!!

Paulo H.